Michell Icaro Lima Oliveira¹ e Arthur Arcoverde Pinheiro¹

¹Acadêmicos de medicina da Unichristus

 

A CHEGADA NA UNIDADE E A AFLIÇÃO PELA NÃO-MELHORA

O agora ex-paciente conta que chegou à unidade com um quadro de baixa saturação  de oxigênio, 92%, sendo, por isso, logo internado e prontamente medicado pela  equipe. 

Após alguns dias de internação, Francisco Fernandes diz ter observado que muitos pacientes chegavam com os mesmos sintomas que os seus, todavia acabavam  se recuperando após alguns dias, enquanto ele continuava ali, sem melhorar da  condição que lhe abatia. 

Em determinado momento, percebendo uma piora das suas condições respiratórias,  situação essa que também passou a ser evidenciada nos aparelhos, não titubeou em pedir ajuda: “Olhe, enfermeira, peça para me intubar, senão eu não vou resistir!" Com um sorriso no rosto, ainda que coberto pela máscara que usava, falou que a  equipe foi rápida e atenciosa em seus cuidados, principalmente no momento de seu  agravamento.

“Foi realmente muito difícil”

Residente de Fortaleza, Francisco Fernandes tem 55 anos e ficou 21 dias internado no Hospital São José, dos quais 10 dias em intubação orotraqueal.

 

A ADMIRAÇÃO PELA ÁREA DA SAÚDE 

Após sair da intubação, Francisco Fernandes diz ter passado por um período  ruim, angustiante, com momentos de alucinação. “Era uma angústia, uma coisa  ruim, foi realmente muito difícil”, confessou falando dos receios anteriores à tão esperada alta médica, que felizmente não tardou a chegar. 

Sobre o HSJ, diz que, hoje, fala para todos acerca das atitudes lindas que presenciou  na unidade. Ele destaca o amor e a dedicação ao trabalho das pessoas que fazem o dia a dia do hospital, fazendo questão de ressaltar toda a equipe, desde os maqueiros, "pessoal da limpeza", “pessoal da refeição”, até os enfermeiros e médicos.  

Fala que, se fosse um pouco mais jovem, ingressaria em um curso na área da saúde  para desempenhar o mesmo cuidado e atenção com outras pessoas, da mesma forma  que viu ali. 

Atualmente diz "se sentir bem”, afirmando ter feito fisioterapia quando saiu, pois estava com dificuldade de andar, e que as alucinações foram passando ao longo do tempo. Ele conta ter ficado 45 dias em casa se recuperando, porém destaca que já voltou  à sua rotina normal, apesar de apresentar ainda alguma dor nas pernas.

 

A CHEGADA AO HSJ E A EXPERIÊNCIA COM OS FUNCIONÁRIOS  DA UNIDADE 

Tereza do Nascimento relata não se lembrar exatamente de como chegou ao  hospital, pois estava muito confusa, mas conta que tem a  lembrança de que foi muito bem acolhida e bem cuidada por todos que a receberam, desde o primeiro dia. 

“Eles me davam banho, levavam pro banheiro e cuidavam de tudo. Eu nunca esqueci, fiquei me sentindo bem cuidada. Eu achei excelente o tratamento”, exclamou.  

Ela relata não ter tido medo de morrer, mas que “apenas sentia falta de sua filha”. Dona Tereza disse ter sido confortada pelos funcionários, contando que todos lhe davam atenção, conversavam, sempre com ar de empatia pela sua situação. 

Não cansando de falar sobre tal fato, reiterou ter achado excelente o tratamento no hospital, e isso para com todos os  que ali estavam, uma vez que ouvia vários depoimentos de outros pacientes que relatavam a mesma satisfação com o  atendimento prestado pela equipe.

“Eu achei excelente o tratamento”

Dona Tereza tem 74 anos e reside em Fortaleza. Ela diz ter chegado ao HSJ “meio ruinzinha, com a cabeça  em outro lugar, não via nada”, mas que, graças a Deus, foi  muito bem cuidada. 

 

A VITÓRIA DE DONA TEREZA E AS IMPRESSÕES SOBRE A  PANDEMIA DE COVID-19 

Questionada, afirmou, com orgulho, sentir-se uma vencedora por ter superado a COVID-19, criticando quem pensa não ter necessidade de se preocupar com a doença. 

Hoje ela diz sentir apenas um “cansaço no corpo”, mas que, no início, sentia tremores, estando bem melhor agora. 

Agora, a Dona Tereza está em casa, com a filha única, de quem tanto tem orgulho, a qual, inclusive, lhe acompanhava no dia da entrevista. Ressaltou, ainda, que esta “ficou mais desesperada” do que ela própria com a doença, evidenciando, neste momento, com um olhar de carinho uma com a outra, o estreito laço de mãe e filha. 

Ela afirma, por fim, que continua cuidando para manter o  ambiente limpo da melhor forma possível, prezando, na sua residência, todos hábitos de higiene, de modo a evitar contágio por parte de seus familiares.

 

A BATALHA CONTRA A COVID-19 NO HSJ E NA FAMÍLIA 

Dona Edite relata que apresentou os primeiros sintomas de dores de  cabeça fortes e nas pernas enquanto estava no trabalho, noutro local, e que lá mesmo, de imediato, foi se consultar, recomendando-se afastamento por 10 dias. 

Conta que, após 9 dias de muitas dores de cabeça, foi ao posto de saúde, onde fez teste rápido para COVID-19, e que, logo após, a enfermeira, já colocando o oxigênio, lhe disse que ela “não ia mais para casa e, sim,  direto para a UPA”. 

Dona Edite relata que conseguiu lograr êxito em ser transferida para o HSJ, e  que, ao chegar na unidade, foi rapidamente encaminhada para ala de cuidados intensivos, ficando recebendo oxigênio em alto fluxo por mais de 10 dias. Dona Edite conta que, infelizmente, seu quadro veio a piorar e que teve de ser intubada por cerca de uma semana. 

Por ser profissional da saúde, ela ficava de olho na sua saturação, afirmando ter ocorrido, nesse contexto de melhora, uma "luta para a retirada do tubo”, pois sempre acabava  dessaturando.  

Após 2 dias de tentativas de saída da intubação, Dona Edite ouviu que estava prestes a ser traqueostomizada, momento em que pensou “hoje esse tubo sai”, e, unindo forças com a equipe, finalmente conseguiu sair do tubo que tanto lhe afligia.  

Ressaltou que a equipe, tanto médica como de enfermagem e de fisioterapia, "foi muito paciente” e ela foi “muito bem atendida” durante esses dias difíceis. 

Ela conta, muito emocionada, que sofreu por outros membros da sua família também terem contraído a mesma doença, tendo perdido o seu irmão e a sua irmã, esta já fragilizada por problemas hepáticos, em menos de 15 dias.

“Hoje Esse Tubo SaI”

Residente de Fortaleza, Dona Edite, 54, é profissional da saúde, inclusive do próprio Hospital São José. Ela perdeu um irmão para a COVID-19, enquanto ela própria também apresentava os primeiros sintomas. Perdeu também uma irmã, enquanto estava sedada e intubada na unidade.  

 

A VITÓRIA E O PROCESSO DE MELHORA PROGRESSIVO E CUSTOSO 

Edite conta que passou cerca de 2 dias sem falar e andar, só vindo a realizar tais atividades de modo normal após sair do hospital, embora  tenha saído andando com apoio. “Minhas pernas e minha cabeça foram as que sofreram mais”, confessa. 

Relata ainda hoje sentir dor de cabeça, nas pernas e nas costas, pois "o tempo acamada agravou seus problemas de coluna”. 

Dona Edite tem lutado para superar as tristes perdas do irmão e da irmã, passando por momentos de insônia, por situações de agitação e por um sentimento de não querer ficar sozinha. 

Em um momento um pouco mais descontraído, fala que passou a comer demais, tendo, todavia, agora que fechar a boca, pois já está “criando barriga que não tinha”.

 

MEDO, ANGÚSTIA E TUDO AQUILO QUE O COVID-19 TROUXE 

O Sr. Júnior deu um relato bastante direto acerca das suas experiências durante o tempo em que se recuperava da COVID-19. De modo claro, não titubeou ao demonstrar a angústia que a doença lhe trouxe, afirmando "ter tido medo de morrer, de planejar o  futuro e do amanhã”. 

O agora ex-paciente relatou que, durante a sua  internação, sempre pairava o medo de passar mal, “ter  uma parada cardíaca”, pois sempre via outros pacientes serem intubados ou complicando o estado. “Tudo aquilo mexe com o psicológico da pessoa, né?”, disse. 

Durante a sua recuperação, disse que o sentimento de medo era confortado pelo seu celular, uma vez que, com o aparelho, poderia ficar em contato com a sua  família, falando com seus filhos, distraindo-se de algum modo.

“Tudo aquilo mexe com o psicológico”

Júnior, 38 anos, residente de Fortaleza, conta que passou 29 dias internado no HSJ e que, durante o tratamento, ficou bastante angustiado, pensando muito nos seus dois filhos pequenos.

 

O RETORNO DO PAI PARA CASA E A NOVA REALIDADE 

Hoje, ele diz se sentir bem, “graças a Deus”, tendo voltado à rotina normal e ao trabalho, ainda que sinta um pouco de cansaço e fique ofegante às vezes. 

Júnior diz que, no começo, ao voltar para casa, sempre que via alguém da família tossindo ou  espirrando ficava com medo, já pensando que poderia ter transmitido a doença para eles. Mas, segundo ele, agora já melhorou desse receio. 

Ela conta, finalmente, que tem feito os exercícios de fisioterapia de pulmão em casa com o objetivo de expandir sua capacidade pulmonar e melhorar sua condição de vida.