Ana Maria Luna Neri Benevides1, Jayanne Antonia Ferreira Rabelo2,

Pablo Ravell de Holanda Soares3, Beatriz Gurgel Barreto Cavalcante4,

Renata Noronha Ferreira5, Zuila Rafaella Cavalcante de Oliveira6

1. Mestranda do Mested – Programa de Mestrado em Tecnologia e Ensino da Saúde

2,3,4,5,6 Alunos da Graduação do Curso de Medicina da Unichristus

 

INTRODUÇÃO

O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica e complexa, representando um importante problema de saúde pública no mundo, inclusive sendo considerada uma epidemia global.1 A atual pandemia do COVID -19 acrescentou mais uma preocupação sob essa população, de modo que é visto uma maior morbidade e mortalidade nesses pacientes infectados. Estudo de dois hospitais na cidade de Wuhan, incluindo 1561 pacientes com COVID-19, mostraram que os diabéticos (9,8%) tiveram um risco aumentado para admissão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou para óbito.2 Igualmente, outro estudo de coorte realizado na Inglaterra incluindo 5693 pacientes com COVID hospitalizados, o índice de morte foi maior nos pacientes que apresentavam diabetes descontrolada.3

Em 2019, International Diabetes Federation (IDF) estimou que 8,8% da população mundial entre 20 e 79 anos vivia com diabetes, representando 415 milhões de pessoas.1 Essa condição clínica confere ao paciente risco aumentado para infecções. Estudos prévios confirmaram uma relação entre HbA1c e o risco de hospitalização por infecções gerais, principalmente relacionadas ao trato respiratório, reforçando a necessidade de definir a precisa associação da DM com o prognóstico do COVID-19.4

Epidemiologicamente, no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, existem mais de 13 milhões de pessoas com DM.1 Em 2017, o Brasil ocupava o quarto lugar de países com maior número de diabéticos.5 É preciso analisar, concomitantemente, a prevalência de casos de COVID-19 no Brasil, que em 08 de outubro de 2020, havia 5.028.444.6 

A diabetes não confere um risco aumentado para adquirir o COVID-19, porém essa doença hiperglicêmica é mais comum em paciente que apresentam uma clínica grave do COVID-19. Um estudo na China mostrou que pacientes com diabetes apresentavam mais pneumonia grave, altas concentrações de lactato do-hidrogenasse, alanina aminotransferase e γ- glutamiltransferase.7 Diante disso, é visto uma necessidade de realizar uma revisão de literatura com os principais aspectos encontrados na associação dessas duas doenças, COVID -19 e Diabetes. 

 

MATERIAIS E MÉTODOS 

Essa revisão de literatura foi elaborada a partir de uma busca eletrônica nas bases de dados Scielo, no mês de outubro de 2020. As palavras chaves utilizadas foram “Covid-19”, “DM”, “SARS-CoV-2”, “Doenças crônicas” e suas correspondentes em inglês. 

Foram encontrados 5 artigos que trouxeram significativa importância de dados e de prováveis fisiopatologias que explicam a evolução mais grave do SARS-CoV-2 em pacientes com DM. 

Nos estudos incluídos nesta revisão, foram coletados os seguintes dados: Referência (título, autor e ano); Amostra (pacientes com DM e covid-19); Método (coleta de dados). 

 

DISCUSSÃO 

Artigos da literatura já comprovaram a relação entre pacientes diagnosticados com diabetes com o risco aumentado em três vezes as chances de apresentar a clínica mais grave do COVID -19 e até morrerem decorrente da doença. Cabe ressaltar que as pessoas com diabetes tipo 1 são tão suscetíveis quanto aqueles com diabetes tipo 2, entretanto, com bem menos riscos.8 Portanto, é fundamental avaliar as implicações do COVID-19 nos pacientes com diabetes tipo 1 e 2. 

Estudo mostrou que a idade avançada, obesidade, hipertensão, doenças renais crônicas que são condições clínicas normalmente associadas com a diabetes, aumentam significativamente a necessidade de um tratamento na Unidade de Terapia Intensiva com uso de ventilação mecânica.9

É importante salientar que, segundo um estudo publicado na Lancet, o SARS-CoV-2 pode afetar as células β, causando uma redução da secreção de insulina. Ademais, também há uma produção significativa de citocinas, que podem induzir a resistência à insulina. Com isso, ocasionando os quadros de hiperglicemias nos pacientes com COVID. Nessa perspectiva, foi visto que o aumento dos níveis de glicose no sangue podem ocorrer potencialmente não apenas em pessoas com diabetes conhecida, mas também naquelas com diabetes não diagnosticado, pré-diabetes ou com grande predisposição à doença. Portanto, é importante o controle da hiperglicemia desde o momento da hospitalização, pois pode reduzir a progressão da doença em forma grave ou morte.10

Além disso, outra análise que aborda essa relação, foi o estudo que realizou divisão em grupos com pacientes euglicêmicos na admissão (n = 5149), pacientes com glicose de 0,140 mg / dL (7,8 mmol / L), mas sem diabetes conhecida (n = 566), e pacientes com o diagnóstico anteriormente de diabetes (n = 556). Comparando esses conjuntos, a categoria que tinha os pacientes com hiperglicemia sem diabetes deteve a maior taxa de mortalidade (39% vs. 17%, razão de risco 2,20 [IC 95% 1,27-3,81], P5 0,005). À vista disso, a hiperglicemia foi um forte preditor de mortalidade.8

 

CONCLUSÃO 

Diante destas perspectivas, sabendo das evidências que o COVID implica em indivíduos com diabetes e com outras comorbidades, é de extrema importância o controle e o manejo adequado dessas doenças crônicas, com isso reduzindo as taxas de mortalidade e morbidade. 

Portanto, faz-se necessário, também, nesse momento crucial, que os profissionais da saúde abordam e esclareçam aos seus pacientes, os riscos que os indivíduos com DM abrangem no contexto do COVID. 

Ademais, é imprescindível um controle adequado da hiperglicemia, visto que apresentam relação com progressão do COVID para casos graves. Nesse contexto, percebe-se que é preciso de mais estudos que comprovem a necessidade de um controle da hiperglicemia desde o momento da hospitalização e como essa abordagem pode ser feita de forma adequada. 

 

REFERÊNCIAS 

1. APICELLA, Matteo et al. COVID-19 in people with diabetes: understanding the reasons for worse outcomes. Covid, [s. l.], 17 jul. 2020. DOI https://doi.org/10.1016/ S2213-8587(20)30238-2. Disponível em: www.thelancet.com/diabetes-endocrinology. Acesso em: 8 out. 2020. 

2. GBD 2017 DALYs and HALE Collaborators. Global, regional, and national disability-adjusted life-years (DALYs) for 359 diseases and injuries and healthy life expectancy (HALE) for 195 countries and territories, 1990–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2018;392(10159):1859–922. ​https ://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)32335 -3 

3. Williamson E, Walker AJ, Bhaskaran K, et al. Factors associated with COVID-19-related hospital death in the linked electronic health records of 17 million adult NHS patients. J Chem Inf Model 2019; 53: 1689–99

4. Booth CM. Clinical features and short-term outcomes of 144 patients with SARS in the greater Toronto area. JAMA 2003; 289: 2801–09. 

5. https://www.endocrino.org.br/international-diabetes-federation-2017/

6. https://covid.saude.gov.br/

7. Shi Q, Zhang X, Jiang F, et al. Clinical characteristics and risk factors for mortality of COVID-19 patients with diabetes in Wuhan, China: a two-center, retrospective study. Diabetes Care 2020; 43: 1382–91. 

8. Riddle, C. M. Diabetes and COVID-19: Moving From News to Knowlegge and a Glucose Hypothesis. August 4, 2020. American Diabetes Association. Disponível em : https://care.diabetesjournals.org/content/43/10/2336 .

9. Stokes EK, Zambrano LD, Anderson KN, Marder EP, Raz KM, Felix SEB, Tie Y, Fullerton KE. Coronavirus Disease 2019 Case Surveillance — United States, January 22–May 30, 2020. ​MMWR Morb Mortal Wkly Rep.​ 2020;69:759-765 

10. A.E. Caballero, A. Ceriello, A. Misra, P. Aschner, M.E. McDonnell, M. Hassanein, L. Ji, J.C. Mbanya, V.A. Fonseca, COVID-19 in people living with diabetes: An international consensus, Journal of Diabetes and its Complications,

Volume 34, Issue 9, 2020.